Sem muitas explicações, o spectorama é o meu novo blog. O conceito é menos textos e mais posts. Como vocês bem sabem, tempo é algo que não tenho. Mas ainda gosto muito de compartilhar as minhas pequenas obsessões. E me mudo também para o Tumblr porque acho que é o lugar perfeito para o spectorama revisitado. Por enquanto não tem comentários por problemas técnicos, mas o meu e-mail está sempre disponível.
E lá vamos nós de novo
Novembro 18, 2009 por André TakedaBack to reality
Outubro 19, 2009 por André TakedaSim, eu disse que iria escrever um quase diário de bordo da nossa viagem. Mas o fato é que não deu. Não deu porque simplesmente ficamos na rua todo o tempo e, quando chegava em “casa”, eu não conseguia escrever uma linha. Voltamos na semana passada e, aos poucos, vou continuar com as minhas impressões.
Para começar, eu gostaria dizer que é fato comprovado: os franceses são as pessoas mais bonitas e bem vestidas do mundo. Isso inclui homens e mulheres. Eu realmente gostaria de escrever um livro somente sobre o som do salto alto nos corredores do metrô de Paris. Aquele tac-tac-tac que faz eco enquanto buscamos a nossa conexão e que, de uma hora para outra, revela mais uma mulher que ou é linda ou tem um estilo incrível ou é um misto das duas coisas. E os homens… sinceramente, gostaria de saber me vestir daquele jeito.
É fato também que a Torre Eiffel é bem maior do que imaginava e que tem lá a sua magia. Mas não achei grandes coisas. Fiquei impressionado mesmo com os parques e praças, e olha que não sou muito fã de verde. Além do Palais Royal, fiquei impressionado com a beleza dos Jardins de Luxemburgo e da Place de Vosges. Fora todas as pequenas pracinhas que a gente encontra enquanto se perde pela cidade.
Vou dedicar um post apenas sobre a comida. E vai incluir os highlights gastronômicos de Berlin e de Roma também. Por exemplo, quem diria que eu iria comer o melhor rolinho primavera da minha vida na Alemanha?
Aos poucos, vou colocando fotos no meu Flickr.
E, para terminar este post rápido, deixo essa música da francesa Mélanie Pain, que canta no Nouvelle Vague. Ouvi o disco dela em Paris e fiquei obcecado por essa canção. OK, ela canta em inglês, mas dá para sentir o charme francês.
O melhor caramelo do mundo
Setembro 26, 2009 por André TakedaA primeira vez que visitei a França, há exatamente 10 anos, fiquei tão de saco cheio do humor das pessoas que decidi não passar alguns dias em Paris. Apenas conheci o litoral e algumas cidades perto da Espanha. A ideia original era ficar na capital na volta de Londres a Barcelona (onde eu pegaria o meu avião de volta a Porto Alegre), mas a falta de dinheiro de um mochileiro mais a antipatia dos franceses me fizeram ficar aqui somente algumas horas. Na verdade, o tempo de espera até o meu trem sair.
E por que voltei? Porque cresci. Cresci um pouco, mas cresci. Hoje, gosto de comer bem, adoro fotografar (e sou fã de grandes fotógrafos que retrataram essa cidade), e sou casado com uma mulher que ama Paris. Só o último motivo já seria o suficiente para voltar.
Os nossos primeiros dias foram muito cansativos. Juntou o jet lag e a vontade de fazer tudo e simplesmente estamos mortos. Como não conhecia nada, decidimos fazer alguns programas bem de turista. Abaixo, as minhas rápidas observações até o momento.
1. Louvre: Espetacular o lugar. Fiquei de boca aberta. Mas é um museu muito grande e, sinceramente, não tenho muita paciência para isso. Mesmo assim, passamos quase três horas só para ver o essencial. Achei mais interessante todo o povo se espremendo para ver a Mona Lisa que o próprio quadro em si. Sério, tinha gente com cara de quem estava vendo Jesus.
2. Palais Royal: Um dos lugares mais bonitos que já vi na minha vida. Além disso, decidimos almoçar por lá e comi uma linguiça de Lyon com polenta que estava sensacional.
3. Caramelo: Estou fascinado com o caramelo francês. Comi um crepe de caramelo no excelente Breizh Cafe que me fez lamber o prato. E mais tarde experimentei uma eclair de caramelo da Fouchon que me fez suspirar intensamente por dois minutos.
4. Arco do Triunfo: Gigante o negócio. E era isso.
5. Museu Jeu de Poumme: Tivemos a sorte de pegar a exposição Planète Parr, sobre a obra e influências de um dos meus fotógrafos favoritos. Além de livros da famosa coleção de Martin Parr (com direito a um autografado e com dedicatória de Henri Cartier-Bresson), também estão expostos objetos que o cara coleciona. São coisas kitsch e bizarras, como relógios com a cara do Bin Laden, sabonete do Abba e um saco gigante de salgadinhos de queijo. Genial.
Bom, esse texto escrevi ontem às sete da tarde. Falta falar ainda da Torre Eiffel, da mousse de chocolate que quase me matou e das francesas e o salto alto no metrô. Mas agora estou cansado porque acabamos de voltar de um bistrô especializado em frutos do mar que me fez, uma vez mais, lamber o prato.
Chegamos
Setembro 23, 2009 por André TakedaPor uma série de razões – econômicas, logísticas, práticas – decidi comprar as passagens pela Alitalia. Nunca havia viajado com os italianos, mas pensei que não poderia ser tão ruim. E não foi. Mas tampouco foi uma maravilha. O atraso de duas horas nem foi um problema tão grande porque conseguimos pegar a nossa conexão em Roma e chegamos na hora marcada em Paris. Mas, justamente na nossa fila, o sistema de entretenimento não funcionava. E mais: nem apagar as luzes a gente conseguia. Era uma luz fortíssima na nossa cara e o comissário de bordo brincava comigo: “você quer que eu te dê um bronzeador?”. Eu reclamando, e o cara fazendo piada. Mas tudo bem. Nos deram uns presentes, depois tiveram a feliz ideia de apagar as luzes de todo o avião. Funcionou, mas se a gente ligasse a nossa de novo… já viu, né? Nunca mais iria apagar e eu iria chegar bronzeado na Europa.
Mas, enfim, chegamos bem no nosso pequeno e aconhegante studio em Paris mais ou menos às 2 da tarde de ontem. Estávamos mortos, mas saímos para conhecer a vizinhança, caminhar pelo Canal St. Martin, fazer compras no super. Descobri que a uma quadra daqui tem dois restaurantes brasileiros e um argentino. Até tenho vontade de comer uma feijoada, mas segundo a Lelê os caras escreveram “galina” no menu e não devem ser 100% verde e amarelo. Tudo bem. Pelo jeito, restaurante bom é o que não falta aqui. Quando eu estiver menos cansado quero escrever sobre comida. Porque comer é um dos principais objetivos dessa viagem.
Agora, tenho que ir porque se eu não dormir uns 20 minutos, não vou aguentar sair para jantar. E eu quero e preciso jantar!
Now boarding
Setembro 20, 2009 por André TakedaDepois de uma correria no trabalho nas últimas semanas, consegui deixar quase tudo mais ou menos organizado para poder viajar com uma tranqüilidade. Estava meio estressado porque (1) trabalho em uma empresa cujo lema é living la vida loca e (2) vou ficar três semanas fora.
Agora estamos no processo de preparar as malas e amanhã embarcamos para Roma. Em Roma, pegamos uma conexão a Paris, onde ficamos dez dias. É a minha segunda vez na capital francesa, mas é como se fosse a primeira. Porque ficar 10 horas em uma estação de trem não dá para conhecer nada, né? Decidimos também que vamos fazer um bate-e-volta até Antwerp, na Bélgica. Voltamos a Paris e voamos até Berlin. Não conheço a cidade e não tenho muitas expectativas, mas acho que vou gostar. De Berlin voltamos a Roma. Já fui duas vezes a Roma e adoro a cidade. Principalmente porque poderia ficar o resto da minha vida comendo pasta e sorvete.
A idéia é escrever no blog, mas tudo vai depender das conexões de internet. Não vou colocar fotos porque, vocês já sabem, sou velho e só uso filme. Ou seja, é preciso esperar a minha volta quando vou revelar todos os rolos que pretendo fotografar. Também pensei em usar o Twitter, mas não quero levar o meu telefone sempre comigo porque senão vou ser obrigado a ver os e-mails do trabalho.
Então é isso… Até mais!
I’m so glad I found you
Agosto 30, 2009 por André Takeda
Sou eu que estou ficando velho ou os meus ídolos decidiram morrer todos aos mesmo tempo? Nem preciso repetir aqui sobre a minha obsessão por toda a produção musical de Phil Spector em sua época áurea no final dos anos 50 e na década de 60. Mas, por mais gênio que o maluco era, ele não fez tudo sozinho. A minha all time favorite, por exemplo, foi co-escrita por Ellie Greenwich e seu então marido Jeff Barry. O trio não foi responsável apenas por Be My Baby. Outros clássicos como Baby, I Love You, Da Doo Ron Ron, Chapel of Love e Then He Kissed Me.
Mas Ellie não escreveu apenas para as girl groups de Spector. O hit Leader of The Pack, das Shangri-Las do produtor George Shadow Morton, também leva a sua assinatura. E é outra canção que revolucionou o pop por sua temática adulta demais para o mundo adolescente.
Em 2002 eu tentei desesperadamente entrar em contato com a Ellie. Mandei e-mails para o seu agente, para o seu site, mas nunca recebi uma resposta. Não lembro exatamente os motivos, mas sentia que necessitava conversar com a mulher que escreveu algumas das canções que mais amo. Queria fazer uma entrevista, sei lá. Ainda quero muito falar com ela… mas agora, infelizmente, já não tenho mais chances.
Adeus, Ellie. Você sabe: baby, I love you.
Estou aqui
Agosto 13, 2009 por André Takeda
O filme I’ve Loved You So Long é do ano passado. Mas chegou só agora aos cinemas argentinos. O que eu posso dizer? Melhor filme que vi neste ano. Um pouco melodramático? Talvez. Mas vou dizer algo para você, o final do filme com a Kristin Scott Thomas dizendo apenas um “Eu estou aqui” já entrou na minha lista de coisas que eu queria ter escrito.
A adolescência acabou
Agosto 6, 2009 por André Takeda
John Hughes foi o meu James Joyce. O meu Machado de Assis. O meu Velvet Underground. O meu Sex Pistols. Eu nunca quis ser um escritor de verdade. Para ser bem honesto, desde a adolescência sempre tive essa certeza de que queria ser apenas um contador de histórias. E os filmes produzidos, dirigidos e/ou escritos pelo John Hughes eram como estes shows de rock que você vê quando tem 15 anos e sai com essa sensação urgente de ter uma banda.
Eu já era fã de Curtindo a Vida Adoidado quando a minha irmã Karina me levou com o seu namorado para assistir a Garota de Rosa Shocking, lá no cinema Vitória no centro de Porto Alegre. A abertura do filme, ao som de Pychedelic Furs e com as pernas de Molly Ringwald, foram como dois ou três minutos que definiram a minha vida. Saí do cinema querendo ser o Duckie. Saí daquele filme querendo escrever um conto sobre a minha paixão não correspondida pela Ana Elisa (uma personagem-pessoa real que, inclusive, aparece no Clube dos Corações Solitários). Saí daquele filme fã de Psychedelic Furs, The Smiths, Otis Redding e New Order.
É muito provável também que desde aquela noite eu tenha vivido em uma certa adolescência constante. Já se passaram mais de vinte anos, casei, tenho um bom emprego, estou pensando em ter filhos, mas sinto que ainda tenho um pouco do Duckie dentro de mim. E do Keith de Alguém Muito Especial, que às vezes se deixa levar pela futilidade quando o que precisa está ali na sua cara. E do Ferris, que sabe que é bom chutar o balde de vez em quando.
A notícia da morte de John Hughes é muito mais do que motivo de tristeza para mim. É como se todos aqueles anos escrevendo nos meus cadernos, blocos e na minha velha Olivetti voltassem em um grande sopro. Estou aqui, à frente do meu computador, mas consigo lembrar exatamente como era o meu quarto aos 15, 16 anos, com cartazes do Echo & The Bunnymen na parede, discos de vinil por todos os lados, quadrinhos Marvel e livros roubados da biblioteca. Mas o mais estranho de tudo é que é apenas saudade. Não existe mais aquela vontade de ser jovem de novo, seja lá o que isso significa. Sim, é apenas saudade.
Vejam vocês que ironia amarga: foi preciso o John Hughes morrer para eu me dar conta de que a adolescência acabou.
Mas isso não me impede de ouvir uma vez mais If You Leave do OMD e rezar por uma das pessoas que mais me influenciaram na vida.
Belleville
Julho 30, 2009 por André TakedaOs franceses é que sabem viver: não têm pressa para responder os e-mails, não insistem em vender algo que você não quer comprar, demoram uma semana para escrever um contrato simples de aluguel. A primeira vez que passei pelo país foi meio traumatizante. Eu era um mochileiro e tal e realmente não peguei os franceses em um bom momento.
Agora estou bem empolgado. E, ainda bem, finalmente conseguimos encontrar um apartamento em Paris. Ficamos os nossos 10 dias pertinho do canal Saint Martin, seja lá onde fica isso, mas pelo que vi não é longe das principais atrações da cidade. Para falar a verdade, nem quero muito ir aos museus e tals (mas vou, né?). O que quero mesmo é caminhar assim sem rumo. Estou precisando disso.
In my life
Julho 21, 2009 por André TakedaJá escrevi em dezenas de lugares sobre como John Lennon é importante para mim e como o dia de sua morte é algo que nunca vou apagar da memória. Não porque eu fosse fã ou coisa parecida. Afinal, não tinha nem idéia de quem era aquele cara por quem o mundo chorava. A única coisa que sei é que aquele dia ficou marcado na minha cabeça e, não por acaso, fiz de Lennon o meu guru. Como costumo dizer, nunca fui fã dos Beatles. Sou fã mesmo é de Lennon.
Neste ano, quando já nem pensava mais sobre o mundo dos livros, recebi, pelo blog, uma mensagem superquerida da Fabiana Medina, que trabalha na editora Arx. Ela disse que gostava muito do Clube, que o meu primeiro romance havia marcado uma fase de sua vida. Na verdade, isso é o que mais me orgulha. Esse livrinho tão simples que escrevi não é literatura, até porque está longe de ser bem escrito, é um produto pop, como um disco da sua banda favorita, que acompanhou uma parte da vida de muita gente. Pois bem, a Fabiana me procurou e disse que tinha um projeto para mim.
Sem muita cerimônia, ela me convidou para traduzir ao português o livro I Met the Walrus. Nele, o autor Jerry Levitan conta a sua façanha: aos 14 anos, conseguiu uma entrevista exclusiva com o Lennon. Aceitei na hora, sem saber no que estava me metendo.
Traduzir um livro não é fácil para um novato como eu. Ainda com o trabalho que tenho. Depois de um mês lutando com a tradução, decidi pedir ajuda. Foi aí que entrou o jornalista, ecritor e tradutor Marcelo Barbão. Em tempo recorde, porque o prazo era curto, ele fez toda a tradução e eu adaptei o texto, dando um tom mais coloquial. Não quis mexer muito, deixar a minha marca, mas, no final, mudei algumas coisas e até acrescentei um par de frases e palavras para deixar o livro com mais fluência.
Agora que terminei quase toda a adaptação (só falta entregar o epílogo), entendo por que a Fabiana me chamou para o projeto. O Jerry adolescente é tão verdadeiramente ingênuo e apaixonado pelo seu ídolo que lembrou muito o meu narrador do Clube. Nenhum dos dois têm medo de parecer ridículo ao expor os seus sentimentos. Porque, no fundo, ambos sabem que ridículo é justamente quem tem medo de colocar para fora o que sente.
Muito obrigado a Fabiana, ao Barbão, ao Jerry, ao Lennon… adaptar este texto me fez reencontrar o guri apaixonado pelos ídolos que sou. Eu até que tinha razão. O rock and roll é capaz de mudar vidas. E agora não vou mais ter vergonha de dizer a velha frase célebre de Spit: eu sou o que escuto.